O caso Banco Master
Do banco de nicho ao maior colapso bancário da história do Brasil: a cronologia completa, do primeiro alerta ao Banco Central até a crise institucional que hoje envolve o Supremo Tribunal Federal — com fonte e nível de comprovação para cada fato.
Cronologia
Do fato mais antigo ao mais recente. Use os filtros para isolar apenas o que já está comprovado, ou para ver onde a apuração ainda está em aberto.
Fundação da corretora Máxima
Precursora do banco: a corretora Máxima dá origem, décadas depois, ao Banco Máxima e, em seguida, ao Banco Master.
ComprovadoDaniel Vorcaro assume o controle do Banco Máxima
Mineiro de Belo Horizonte, nascido em 1983, economista com MBA pelo Ibmec, Vorcaro vinha do mercado imobiliário da família — incluindo um projeto de hotel de luxo para a Copa de 2014 que não avançou — quando, em 2018, ele e sócios compram o Banco Máxima, fundado em 1974 e então controlado por Saul Sabbá, que estava inabilitado pelo Banco Central. A instituição, pequena e capitalizada em cerca de R$ 400 milhões, é rebatizada de Banco Master em 2019 após aprovação da transferência de controle pelo BC.
ComprovadoMaster entra em estratégia agressiva de compra de participações
Já rebatizado, o banco passa a captar via CDBs pagando até 140% do CDI — bem acima da faixa de 110–120% praticada por bancos pequenos concorrentes — e usa o volume crescente de recursos para comprar dívidas e participações de empresas em dificuldade financeira: Light, Oi, CVC e Oncoclínicas estão entre os nomes mais citados. É a Oncoclínicas que, anos depois, ilustra o risco desse modelo: com a liquidação do Master, a rede de oncologia entra em disputa bilionária com a massa liquidante e o Goldman Sachs, e só fecha acordo para receber R$ 478,2 milhões em parcelas de volta de CDBs que mantinha no banco.
ComprovadoFundo ESH Capital alerta o Banco Central
Relatório de 31 páginas enviado à supervisão bancária do BC aponta captação via CDBs crescendo cerca de 100% ao ano e risco de insolvência com dano à poupança popular. Um ano depois, o BC encerrou o caso sem medida específica, dizendo que o tema "estava coberto pela supervisão contínua".
ComprovadoBC notifica o Master sobre medidas prudenciais
Um ano depois do alerta ignorado da ESH Capital, o próprio Banco Central formaliza ao Master a possível adoção de medidas preventivas, ao identificar dificuldade crescente de captação institucional (bancos e fundos passam a evitar negociar com o Master) e descumprimento de depósito compulsório — o volume mínimo que todo banco precisa manter recolhido junto ao BC. É o primeiro sinal formal, documentado, de que o próprio regulador via risco concreto, meses antes de as negociações com o BRB começarem.
ComprovadoConstituição da Tirreno Consultoria
Na mesma janela em que o BC formaliza suas primeiras cobranças, é constituída a Tirreno Consultoria — empresa que a investigação viria a apontar como o veículo central de um esquema de carteiras de crédito consignado sem lastro real: o Master teria adquirido, via Tirreno, cerca de R$ 4,6 bilhões em operações de crédito sem pagar por elas, e revendido as mesmas carteiras ao BRB por R$ 12 bilhões (ver mecanismo, passo 4). Uma checagem posterior do BC em 30 CPFs de supostos devedores não encontrou correspondência real com as pessoas listadas.
IndícioVorcaro inicia negociação de venda ao BRB
Diante da dificuldade crescente de captação e da fiscalização mais atenta do BC desde 2024, Vorcaro busca um comprador que resolva o problema de uma vez: o BRB, banco público controlado pelo governo do Distrito Federal, com quem o Master já tinha operações de repasse. Começam as tratativas formais para venda de participação — não é ainda um pedido de socorro ao Banco Central, mas uma solução de mercado que o próprio BC, segundo reconstituição da imprensa, esperava e monitorava de perto antes de considerar medidas mais duras.
IndícioEncontro entre Vorcaro e o ministro André Mendonça
Reunião de cerca de 2h no Instituto Iter, fundado por Mendonça, com intermediação do advogado Ciro Soares e do deputado Cezinha de Madureira. O próprio ministro confirmou o encontro em 2/9/2026, dizendo que tratou de uma tutela sobre precatórios e negando ter concordado com a posição de Vorcaro.
IndícioFGC socorre o Master com R$ 4,3 bilhões
Linha de assistência financeira concedida para honrar compromissos de curto prazo enquanto a venda ao BRB tramitava. No mesmo período, Vorcaro vende ativos pessoais para injetar recursos próprios no banco — algo em torno de R$ 954 milhões, segundo reconstituição da imprensa a partir de dados regulatórios — numa tentativa de mostrar capacidade de recomposição patrimonial antes que o Banco Central decidisse sobre a venda ao BRB.
Indício1ª reunião entre Alexandre de Moraes e Gabriel Galípolo
Reunião confirmada por ambos; oficialmente para tratar das sanções Magnitsky aplicadas a Moraes pelos EUA. O conteúdo específico sobre o Master é contestado.
ComprovadoBanco Central veta a compra do Master pelo BRB
O veto fecha uma sequência de quase um ano em que o BC tentou uma solução de mercado antes de qualquer medida coercitiva: monitoramento intensificado a partir de 2024, uma primeira tentativa de transferir carteiras de crédito a outras instituições, depois a negociação com o BRB como alternativa principal, e paralelamente o socorro do FGC (R$ 4,3 bi) e a injeção de recursos pessoais de Vorcaro. Apesar disso, a diretoria do BC conclui que o banco "permanece em estado econômico-financeiro crítico", sem "alternativas factíveis", e cita "falta de viabilidade econômico-financeira" e ausência de documentos comprobatórios para negar a operação. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é afastado do cargo pouco depois — ele seria preso em abril de 2026, suspeito de ter recebido propina pela negociação (ver abaixo).
ComprovadoMaster transfere R$ 1,44 bi em precatórios a empresa ligada a delator
Semanas antes da liquidação, o Master repassa R$ 1,44 bilhão em créditos de precatórios de usinas de cana-de-açúcar (Açucareira Central Sumaúma, Usina Catende, Usina São João, Açucareira Paraíso, Usina Outeiro e Agrícola Baixa Grande) à Entre Investimentos, controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior — que fechou delação premiada em setembro de 2026. O acordo previa pagamento de R$ 1,28 bilhão ao Master (deságio de 10,8%), mas o liquidante do banco não encontrou evidência de que esse pagamento foi de fato feito, nem conseguiu rastrear a origem dos recursos ou dos ativos dados em troca — e suspeita que a operação serviu para ocultar patrimônio em benefício de Vorcaro.
IndícioOperação Compliance Zero prende Daniel Vorcaro
PF deflagra a operação a pedido do MPF: 5 prisões preventivas, 2 temporárias e 25 buscas em SP, RJ, MG, BA e DF. Vorcaro é detido no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar em jato particular.
ComprovadoBanco Central decreta a liquidação extrajudicial
Comunicado n° 44.238, assinado pelo BC em 18/11/2025 com base nos artigos 15 (caput e §2º), 16, 51 e 52 da Lei 6.024/1974 e no art. 2º da Lei 9.447/1997, decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. (CNPJ 33.923.798/0001-00) e, por extensão, da Master Corretora, citando "o vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle e pela existência de administração comum" entre as duas. A empresa EFB Regimes Especiais de Empresas, sob responsabilidade técnica de Eduardo Felix Bianchini, é nomeada liquidante. Considerado o maior colapso bancário da história do Brasil em valor.
ComprovadoVorcaro é solto por decisão do TRF
Prisão preventiva revogada dez dias após a prisão; a defesa argumenta que Vorcaro não oferece risco de fuga ou de reiteração delitiva estando o banco já sob liquidação, e pede que o caso migre para o STF sob o argumento de foro por prerrogativa de função — o que, meses depois, de fato acontece.
ComprovadoToffoli viaja a Lima com advogado ligado ao caso
Viagem em jato particular para a final da Libertadores, ao lado do advogado do diretor de compliance do Master. O fato motivou pedido de impedimento — mas nenhuma reportagem estabelece quem pagou o jato, e não há decisão do STF que aponte irregularidade. Aplicando o teste deste dossiê: há proximidade e mau timing (a viagem ocorre dias depois de Toffoli ser sorteado relator), mas falta o benefício pessoal comprovadamente ligado a Vorcaro/Master e falta a decisão tomada em troca dele. Fica como ilação sem nexo causal — a suspeita é legítima, mas o nexo não está demonstrado.
Ilação sem nexo causalToffoli é sorteado relator, impõe sigilo e veda outros tribunais
Além de decretar sigilo ao processo, Toffoli vai além: em decisão de 9/12/2025 na Reclamação 88.121, determina que o Banco Central se abstenha de cumprir qualquer decisão judicial sobre as instituições envolvidas na Compliance Zero que não venha do próprio STF — blindando a condução do caso contra decisões de outras instâncias — e exige do BC documentos e informações sobre os processos administrativos em curso contra o grupo. Justifica a medida com base no art. 192 da Constituição, que trata da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. A decisão gera reação imediata de juristas e no Congresso, por concentrar num único ministro um poder de veto sobre qualquer outro tribunal do país no caso.
ComprovadoTCU questiona o momento da liquidação
O relator Jhonatan de Jesus abre inspeção formal para apurar se a diretoria do Banco Central agiu tarde ou cedo demais ao decretar a liquidação — de um lado, a hipótese de que o BC deveria ter intervindo antes, já que o alerta da ESH Capital é de 2023; de outro, a hipótese de que uma liquidação mais rápida teria reduzido o rombo. A relação entre TCU e BC ao longo da inspeção é hostil: o Banco Central chega a embargar o acesso do TCU a documentos, recua meses depois e autoriza a inspeção sob condições.
ComprovadoO Globo revela contatos Moraes–Galípolo sobre o Master
Reportagem aponta ao menos 4 contatos entre os dois; Moraes e o BC divulgam notas dizendo que tratavam da sanção Magnitsky. Dias depois, o Estadão publica que Moraes teria ligado "seis vezes no mesmo dia" — versão contestada por Moraes.
Indício2ª fase da Compliance Zero: bloqueio de R$ 5,7 bi
42 mandados de busca e apreensão, ampliando o alvo da investigação para além do núcleo Vorcaro: passam a ser formalmente investigados João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos — apontada pela PF como peça central de um esquema de triangulação de recursos entre fundos ligados ao Master — e o empresário Nelson Tanure, cujos negócios se cruzam com ativos que o banco acumulou. O STF autoriza o bloqueio judicial de R$ 5,7 bilhões em bens dos investigados.
ComprovadoBC liquida a Reag Investimentos
Uma semana após ser alvo de busca e apreensão, a gestora fundada por João Carlos Mansur — descrita pela investigação como o veículo pelo qual o Master triangulava recursos entre fundos, dando aparência de liquidez a ativos supervalorizados nos registros contábeis do banco (ver mecanismo, passo 3) — também tem a liquidação decretada pelo Banco Central.
ComprovadoFGC começa a pagar clientes do Master
Dois meses após a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos inicia os pagamentos a correntistas e investidores em CDB, respeitando o teto legal de garantia de R$ 250 mil por CPF/instituição — o que, para os 1,6 milhão de investidores, significa que quem tinha aplicado além desse limite absorve a perda do excedente diretamente, sem cobertura.
ComprovadoBC liquida o Will Bank, subsidiária digital do Master
O Will Bank, fintech de cartões e crédito que o Master havia comprado para ampliar sua base de clientes de varejo, é liquidado na sequência — mesmo depois de o fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala ter manifestado interesse em adquiri-lo, oferta que não avança diante do estado das contas do grupo.
ComprovadoOperação Barco de Papel: três fases contra o esquema RioPrevidência–Master
Nascida de inquérito de 21/11/2025 na 6ª Vara Federal Criminal do RJ, a operação apura a compra de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Master pela RioPrevidência (fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro) entre nov/2023 e jul/2024. 1ª fase (23/1/2026): 4 mandados de busca e apreensão. 2ª fase (3/2/2026): 3 prisões temporárias e 9 buscas no RJ e SC — é presa a diretora-presidente da RioPrevidência à época, Deivis Marcon Antunes, quando tentava fugir da ação policial. 3ª fase (11/2/2026): buscas em Balneário Camboriú e Itapema (SC) para recuperar bens; num dos imóveis, um ocupante joga pela janela uma mala com dinheiro em espécie, e são apreendidos dois carros de luxo e dois smartphones.
ComprovadoGrupo Fictor pede recuperação judicial
O grupo Fictor havia surgido, em novembro de 2025, como plano B à venda ao BRB: propunha comprar o Master com aporte de R$ 3 bilhões em capital novo. A proposta não avança, e três meses depois é o próprio Fictor que entra com pedido de recuperação judicial — sinal de que a crise do Master também fragilizou parte dos grupos que tentaram absorvê-lo.
ComprovadoToffoli se afasta do caso; André Mendonça assume
Depois da viagem controversa a Lima (28–30/11) e da decisão que blindou o caso de outros tribunais (2/12), a relatoria de Toffoli chega desgastada a fevereiro; sob pressão e com a relatoria contestada, ele se afasta voluntariamente do processo. André Mendonça é sorteado o novo relator, herdando um caso já sob sigilo e com o histórico de atrito entre STF, BC e TCU.
ComprovadoSTF autoriza PF a aprofundar a investigação
Já sob a nova relatoria de Mendonça, o STF dá aval para novas diligências da Polícia Federal — decisão que abre caminho para as fases seguintes da Compliance Zero (a 3ª, em março, prenderia Vorcaro pela segunda vez).
ComprovadoJustiça bloqueia ações do BRB ligadas a investigados
Decisão judicial bloqueia ações do BRB atreladas a pessoas investigadas na Compliance Zero, agravando a crise do banco público distrital, que já vinha desgastado desde o veto do BC à compra do Master (set/2025) e a prisão de seu ex-presidente (abr/2026, ver abaixo).
ComprovadoGoverno da Bahia pagou R$ 49,2 milhões ao Master em precatórios do Fundef
207 pagamentos, a maior parte (R$ 47,4 milhões) só em 2024, decorrentes da antecipação de precatórios do Fundef (fundo da educação básica) por servidores da própria educação, que cederam o direito ao crédito a instituições credenciadas — entre elas o Master — sob a Emenda Constitucional 114/2021. A Secretaria da Administração do Estado (Saeb) diz que não há contrato direto entre o governo e o banco, que o Master "foi regularmente credenciado" e que a prática é comum em outros estados; o papel do governo foi apenas pagar o precatório a quem detinha o crédito. Distinto da transferência de R$ 1,44 bi à Entre Investimentos (acima), que é objeto de suspeita.
ComprovadoFGC já pagou R$ 39,2 bilhões; rombo sobe para R$ 51,8 bi
Além do valor pago a credores do Master, mais R$ 124,7 milhões foram pagos a clientes do Will Bank e R$ 2,5 bilhões do Banco Pleno.
Comprovado18 fundos de previdência têm R$ 1,87 bi expostos ao Master
Regimes Próprios de Previdência Social estaduais e municipais aplicaram em letras financeiras do Master entre out/2023 e dez/2024. Maior afetada: a Rioprevidência, com R$ 970 milhões.
ComprovadoBancos do sistema aportam R$ 32,5 bi para recompor o FGC
O FGC é mantido por contribuições mensais de todas as instituições financeiras associadas, proporcionais ao volume de depósitos garantidos que cada uma capta — o mesmo mecanismo, na prática, que socorreu o próprio Master em maio de 2025. Diante do rombo de R$ 51,8 bi, o fundo aciona uma recomposição extraordinária: R$ 32,5 bilhões são aportados pelas demais instituições do sistema, num rateio que analistas apontam ser, na prática, repassado ao cliente bancário comum via custo de crédito e tarifas — o colapso de um banco de nicho vira custo difuso para todo o sistema.
ComprovadoCPI do Crime Organizado rejeita relatório final por 6 a 4
O relatório do senador Alessandro Vieira, protocolado em 13/4/2026, recomendava o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes e do procurador-geral Paulo Gonet — mas foi rejeitado pela própria comissão, sem efeito jurídico de condenação. O conteúdo das acusações nele contidas segue sem comprovação.
ComprovadoBRB assina acordo com a Quadra Capital para transferir R$ 15 bi em ativos do Master
Mesmo depois de o Banco Central ter vetado a compra do Master em 2025, o BRB tinha absorvido parte dos ativos do banco em operações anteriores à liquidação — e agora tenta se desfazer deles. O acordo prevê repassar R$ 15 bilhões em ativos problemáticos à gestora Quadra Capital, que ficaria responsável por reposicioná-los no mercado. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, diz que o banco tem liquidez suficiente e não depende dessa operação para se capitalizar — mas o acordo acabaria não indo adiante (ver jul/2026).
ComprovadoAgência Pública revela a negociação do filme "Dark Horse"
Formalmente, o financiamento do filme (orçamento declarado de US$ 13,4 milhões) foi contratado entre a produtora Go Up Entertainment e o fundo americano Havengate Development Fund LP, em 24/2/2025 — não há contrato direto entre Vorcaro e a produção. Mensagens e áudios obtidos pela reportagem mostram, porém, Flávio Bolsonaro cobrando pessoalmente Vorcaro pelos repasses ("Eu fico sem graça de ficar te cobrando"); sua defesa descreve o papel dele como o de captador de recursos para a produção, não parte do contrato bancário. Até então, cerca de US$ 10,6 milhões (~R$ 61 milhões) ligados a Vorcaro haviam chegado à Havengate — mas o nome dele não consta na auditoria privada da produção, uma lacuna entre o contrato formal e a origem real do dinheiro que segue sem explicação pública.
IndícioPF e PGR rejeitam duas tentativas de delação de Vorcaro
Defesa de Vorcaro busca acordo de colaboração premiada por duas vezes; ambas rejeitadas por falta de novidade nas informações, com confirmação formal da PGR em 15/6.
IndícioPF pede interceptação telefônica do senador Jaques Wagner
Representação sigilosa da PF ao ministro Mendonça (INQ 5026/PET 16.032-DF) pede escuta contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, sócio-fundador do Master ao lado de Vorcaro. O documento aplica o mesmo tipo de teste que este dossiê usa — benefício pessoal mais poder de decisão exercido em conexão com ele — e junta os dois lados: de um lado, cerca de R$ 66,8 mil em ingressos de shows (Taylor Swift) ao núcleo familiar do senador, pagamentos da Master a BN Financeira Ltda (empresa aberta em 2021 pela nora e pelo enteado de Wagner, com capital de R$ 45 mil, sem histórico de mercado que justifique sua contratação) e um apartamento de R$ 2.455.250,00 no Empreendimento Poème Horto (Salvador), adquirido em nome da Epítome S.A. — sociedade cujo capital foi injetado por um fundo (Hockenheim FIP) ligado ao grupo Reag, de Vorcaro. De outro lado, a PF documenta que Wagner apresentou a Emenda nº 30 à MPV 1.106/2022 (convertida na Lei 14.431/2022), ampliando as margens do crédito consignado — núcleo do modelo de negócio do Master — no mesmo ano em que a BN Financeira passou a ser paga pelo banco; e que, em agosto de 2024, articulou com Augusto Lima, por telefonemas e não por mensagens escritas, a inclusão da Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que elevava o teto de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — mudança que Vorcaro chamava, em mensagem própria, de "hecatombe" (positiva) para a captação via CDB. Em áudio de 25/8/2024, o próprio Wagner diz a Augusto Lima que precisava "conversar para saber como estavam as coisas do banco". Wagner e Augusto Lima negam irregularidade; não há, até a data deste dossiê, decisão judicial sobre o pedido de interceptação.
IndícioBRB desiste de vender os R$ 15 bi em ativos do Master
Três meses depois de fechado, o acordo com a Quadra Capital para vender os R$ 15 bilhões em ativos herdados do Master é desfeito — BRB e a gestora alegam, em nota conjunta, "divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados" para a operação, sem detalhar o que exatamente travou o negócio. Em vez de vender em bloco, o BRB opta por gerir e reposicionar os ativos diretamente no mercado por conta própria.
ComprovadoMendonça autoriza investigar o caso "Dark Horse"
Suspeita de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro.
IndícioPF entrega a Mendonça relatório de 218 páginas
Cerca de 188 páginas (quase 190 das 218) tratam de um contato salvo na agenda de Vorcaro como "Alexandre de Moraes Brasília"; o restante do documento cita, em seções específicas, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — entre elas uma análise de possíveis identidades por trás de nomes citados nas próprias anotações de Vorcaro (item 6, "Da análise dos citados nas notas").
IndícioSigilo parcialmente levantado: contrato de R$ 131 milhões
Vem à público que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, assinou em 23/1/2024 contrato de R$ 131 milhões (R$ 3,6 mi/mês por 3 anos) com o Master. Os metadados do arquivo indicam um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes" como último editor. O próprio texto que revelou o caso ressalva: "não há indício de que o ministro tenha falado com Andrei, com Gonet ou com Galípolo"; a nota da banca de Viviane Barci diz que a consulta prévia apenas verificou impedimentos e que ela "jamais julgou qualquer causa envolvendo Banco Master".
IndícioRevista piauí: nova transferência de US$ 1,6 milhão ao "Dark Horse"
Dados do Coaf mostram remessa de Vorcaro em 16/9/2025 a fundo texano ligado ao filme de Flávio Bolsonaro, elevando o total identificado para US$ 12,3 milhões — ainda distante da promessa inicial de US$ 24 milhões. Flávio, que em maio dissera à GloboNews que o fundo estava "fechado, isolado", recusou-se a comentar: "essas informações eu não tenho como saber".
IndícioTrechos do relatório da PF com mensagens de Vorcaro a Moraes vêm a público
Diferente das fases anteriores, aqui não é só reportagem sobre o documento: o próprio relatório de 218 páginas entregue a Mendonça em 27/8 circula, em partes, republicado na íntegra por diferentes veículos. Entre as mensagens atribuídas a Vorcaro e endereçadas a um número salvo como "Alexandre de Moraes Brasília": "Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?" e "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso" (ambas de 15/11/2025, véspera da prisão), além de uma mensagem no dia da prisão perguntando se havia "novidade" para "bloquear". O próprio relatório da PF, porém, registra explicitamente que é trabalho de inteligência sem valor probatório — uma ressalva que os veículos que o republicaram mantiveram, e que este dossiê reproduz.
IndícioPGR pede a extinção da própria Petição — não só a anulação do relatório
Na manifestação assinada digitalmente (ASSCRIM/PGR nº 1428987/2026), o procurador-geral Paulo Gonet vai além do que a cobertura inicial resumiu como "pedido de anulação do relatório": pede que o relator reconheça a nulidade da ordem que autorizou a produção do documento e, com base nisso, extinga a própria Petição — não apenas descarte o relatório de 218 páginas como prova. Trecho literal: "Sendo nula a ordem e o seu resultado, cabe ao relator reconhecê-lo e extinguir a Petição." Os trechos já citados também se confirmam no documento original: "Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais" e "Na realidade, o relator nem sequer detém competência para dirigir as ações policiais" — argumento de que qualquer apuração envolvendo um colega de Corte deveria ter sido levada ao colegiado, não decidida monocraticamente.
ComprovadoRelatório da PF revela convites pagos por Vorcaro a filho de Paulo Gonet para evento em Londres
Entre as seções menos comentadas do relatório de 218 páginas está o "evento de Londres": mensagens de 2024 e 2025 mostram o advogado Ciro Soares — descrito nas próprias trocas como muito próximo a Paulo Gonet ("Gonet é firme", "Gonet mandou") — repassando a Vorcaro pedidos e confirmações do procurador-geral, incluindo, em 29/3/2025, a pergunta "Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres" (resposta de Vorcaro: "Obvio"). Em 11/4/2025, funcionária de Vorcaro lista nomes propostos para a viagem com despesas pagas pelo grupo — entre eles "Pedro Gonet" — e Vorcaro aprova o custeio apenas para "Pedro e Ciro", recusando bancar os demais ("Não da pra bancar outros"). Este dossiê aplica aqui o mesmo teste de nexo causal já adotado para outros ministros citados: há benefício pessoal documentado (viagem com despesas pagas ao filho do procurador-geral) e há, também, poder de decisão exercido por Gonet em favor de Vorcaro — o pedido, semanas depois (1/9/2026, ver acima), para que o STF extinga a própria Petição que investiga o banqueiro. As duas pontas do teste estão presentes; por isso, o fato é registrado como indício, e não como ilação sem nexo causal.
IndícioMesmo relatório mostra convite pago ao diretor-geral da PF para o mesmo evento
Ainda no capítulo sobre o evento em Londres, mensagens de abril de 2024 mostram Vorcaro e assessores articulando o convite ao "DPF Andrei" — tratado nas trocas como o diretor-geral da Polícia Federal — com a garantia expressa de que "todas as despesas" (hospedagem, passagem) seriam "bancadas por nós". A comunicação passa por uma pessoa identificada como assistente do próprio diretor-geral, que confirma interesse e reforça a necessidade de convite formal para viabilizar a presença; num segundo evento, em 2025, o próprio Vorcaro autoriza que o "Grupo Voto" — nome interno para convidados institucionais — inclua o diretor da PF na lista. A identificação de "Andrei" com Andrei Rodrigues é da própria análise da PF no relatório, que trata o nome como associação provável, não certeza documental plena. Ainda assim, soma-se benefício (convite com despesas integralmente pagas pelo grupo investigado) a poder de decisão (chefia da própria Polícia Federal responsável pela investigação sobre o Master) — o que, pelo teste deste dossiê, justifica o selo de indício, com a ressalva de que nenhuma reportagem ou decisão aponta ato concreto de Andrei Rodrigues em benefício de Vorcaro além do cargo que ocupa.
IndícioMendonça confirma o encontro de março de 2025 com Vorcaro
Ministro diz publicamente que o encontro ocorreu "uma única vez", a pedido de Vorcaro, sobre tutela de precatórios, e nega ter concordado com a posição do banqueiro.
IndícioToffoli é ligado a repasses de um resort — sem valor confirmado nem elo com decisão
Reportagens apontam Dias Toffoli a repasses ligados a um resort, mas o valor vem estimado por uma única fonte, não confirmado por decisão judicial, e nenhuma matéria estabelece que decisão dele no caso Master teria sido tomada em troca disso. Falta a segunda ponta do teste que este dossiê aplica para o selo de indício: poder de decisão exercido em conexão com o benefício. Fica como ilação sem nexo causal até que isso apareça.
Ilação sem nexo causalFilho de Nunes Marques recebeu R$ 281,6 mil por consultoria ao Master
Quem recebeu o dinheiro foi o filho do ministro, não o próprio Nunes Marques — e nenhuma reportagem aponta uma decisão do ministro no caso Master que teria beneficiado Vorcaro ou o banco. Sem essa segunda ponta (poder de decisão exercido em conexão com o benefício recebido pela família), o fato fica registrado aqui, mas como ilação sem nexo causal: associar o nome do ministro ao escândalo, por si só, não prova relação com o escândalo.
Ilação sem nexo causalMoraes aciona 2º relatório da PF para pedir apuração de Mendonça
Em vez de responder apenas às acusações contra si, Moraes usa um segundo documento — um relatório de inteligência da própria PF, que Mendonça classificaria dias depois de "apócrifo" e sem credenciais oficiais — para pedir que a conduta de Mendonça na condução do caso seja apurada. O texto alega que Mendonça teria extrapolado os limites da relatoria ao acessar material bruto de investigação, interferido na cúpula da PF e tratado com desconfiança o diretor-geral Andrei Rodrigues e o procurador-geral Gonet. O próprio relatório reconhece, no corpo do texto, não ter valor probatório. Moraes não abre processo formal com o documento — usa-o para pressionar por explicações, movimento que antecede o pedido de esclarecimentos de Fachin (3/9) e o afastamento de Andrei Rodrigues por Mendonça (8/9).
IndícioFamiliares de Luiz Fux teriam recebido convites a eventos custeados
Familiares do ministro Luiz Fux teriam recebido convites a eventos custeados pelo grupo Master — mas o próprio texto que traz a informação já registra que isso não chegou a se concretizar como "negócio fechado", e Fux nega. Não há, aqui, nem benefício pessoal claramente estabelecido, nem qualquer decisão do ministro apontada como contrapartida. Ilação sem nexo causal.
Ilação sem nexo causalPGR formaliza apuração sobre possível interferência no relatório da PF
Em ofício ao STF, Gonet comunica que vai investigar se houve interferência externa na produção do relatório de 27/8 — ou seja, se o conteúdo do documento foi direcionado antes de chegar a Mendonça. Não há, até a data deste dossiê, identificação pública de suspeitos nem conclusão dessa apuração.
IndícioMendonça afasta o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues
Atendendo a pedido do partido Novo, Mendonça, ainda como relator, decreta o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e a suspensão do diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa, além de proibir a produção de novos relatórios de inteligência sobre ministros do STF. Na decisão, classifica o relatório usado por Moraes contra ele (ver 2/9) de "apócrifo" e sem credenciais oficiais, e escreve: "Importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da Polícia Federal."
ComprovadoAGU pede ao STF a suspensão da decisão de Mendonça
No mesmo dia, a Advocacia-Geral da União — assinada pelo advogado-geral Jorge Messias — protocola pedido de suspensão de liminar na Pet 16.662, pedindo que o STF suspenda "liminarmente, a suspensão dos efeitos da decisão proferida em 8 de setembro de 2026". Os argumentos, direto da peça: violação da competência privativa do presidente da República para nomear e exonerar a cúpula da PF (art. 84, XXV, da Constituição); ofensa ao princípio do juiz natural, por caber ao Plenário — não a um ministro isoladamente — decidir sobre o afastamento; e irregularidade processual, já que a Presidência já tratava do caso internamente.
Comprovado2ª Turma tem maioria para suspender Mendonça, mas Gilmar Mendes pede vista
Levada a referendo na 2ª Turma, a decisão de Mendonça sobre Andrei Rodrigues chega a formar maioria para ser derrubada — mas Gilmar Mendes pede vista do processo, o que paralisa a votação e empurra a decisão sobre esse ponto específico para depois, deixando o afastamento provisoriamente valendo. É um pedido de vista distinto do que o próprio Gilmar faria três dias depois (11/9) sobre o cronograma de julgamento do caso Moraes.
ComprovadoFlávio Dino reintegra Andrei Rodrigues por liminar
Um dia depois, em decisão monocrática na Pet 16.669, Dino concede liminar determinando a "imediata reintegração" de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada da Costa aos seus cargos. Os fundamentos, da própria decisão: o Novo, partido que pediu o afastamento original, não tinha legitimidade para requerer medida cautelar pessoal em processo penal — "inexiste qualquer referência a partidos políticos" entre os legitimados pelo art. 282, §2º, do Código de Processo Penal; e, mais uma vez, apenas o Plenário poderia decidir a questão, não um ministro isoladamente. Dino também argumenta que suspender a produção de relatórios de inteligência da PF comprometeria "atividade essencial ao Sistema Único de Segurança Pública", com impacto em centenas de investigações em curso.
ComprovadoMensagens revelam contato de Ibaneis Rocha com Vorcaro
Ex-governador do DF enviou a Vorcaro uma liminar e um decreto favoráveis à compra do Master pelo BRB, e combinava encontros no Lago Sul. Ibaneis confirmou as mensagens, mas as chamou de "atuação institucional", dizendo ter sido convencido pelo então presidente do BRB de que o negócio beneficiaria o banco e o Distrito Federal.
IndícioGilmar Mendes pede que Fachin adie o julgamento sobre Moraes e reúna os casos
Em pedido distinto do que fizera em 8/9 sobre o afastamento de Andrei Rodrigues, Gilmar contesta a agenda de julgamento marcada para a terça seguinte e pede que os processos que envolvem Moraes e Mendonça sejam analisados em conjunto pelo Plenário, não separadamente.
ComprovadoPF pede busca e apreensão contra o governador Cláudio Castro por exposição de R$ 2,98 bi da RioPrevidência
Nova representação da PF (Registro Especial 2026.0018128 — Pet 15.497) amplia a apuração da Operação Barco de Papel para o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro: além dos R$ 970 milhões em Letras Financeiras já sob investigação, a PF documenta mais R$ 2,01 bilhões investidos pela RioPrevidência entre dez/2024 e set/2025 em fundos ligados ao Master (Arena, Revolution, Texas I, Horizonte I) — elevando a exposição total documentada pela PF a R$ 2,98 bilhões, quase o triplo do valor até então mais divulgado. A peça aplica o mesmo teste de nexo causal: de um lado, mensagens mostram Vorcaro bancando encontros sociais recorrentes com Castro (feijoadas, churrascos, um brunch no Parque Lage) e um evento em Nova York (maio/2024) cujo custo detalhado — US$ 1.023.646,00, cerca de R$ 5,26 milhões, incluindo US$ 674.789 só em whiskeys — a PF reconstrói a partir de e-mail recebido por Vorcaro; numa troca depois de Castro cantar numa missa, Vorcaro escreve "Canta demais!" e Castro responde "Vc é meu amigo, não conta". De outro lado, a PF nomeia o intermediário Ricardo Siqueira Rodrigues ("Ricardo Gordo") — que teria recebido R$ 41,9 milhões via a empresa Mídias Promotora — e quatro dirigentes da RioPrevidência nomeados por Castro pouco antes do início dos aportes (Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente; Euchério Lerner Rodrigues, diretor de investimentos; Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de investimentos; e Fernanda Pereira da Silva Machado, gerente de controle interno), a quem a PF atribui o credenciamento acelerado do Master e a manutenção dos aportes mesmo após alertas do TCE-RJ. Castro nega irregularidade.
IndícioPlenário do STF julga se a apuração contra Moraes pode avançar — e é suspenso
Em sessão histórica (Pet 16.662), o Plenário discute se um relatório da PF com mais de 50 mensagens atribuídas a Vorcaro, endereçadas a um número associado a Moraes, sustenta abertura formal de investigação contra o ministro — a PGR contesta a regularidade do procedimento e pede o arquivamento. O placar chega a 4 a 3 a favor de julgar os casos de Moraes e de Mendonça separadamente, mas o ministro Flávio Dino pede vista dos autos antes da conclusão, suspendendo o julgamento por prazo indeterminado — o pedido pode travar uma decisão por meses.
ComprovadoSigilo quebrado revela consultoria de ACM Neto para o Master
Ex-prefeito de Salvador e presidente do União Brasil, ACM Neto recebeu pessoalmente, via sua empresa A&M Consultoria, valores do Master e da Reag Investimentos — R$ 3,6 milhões segundo relatório do Coaf, R$ 5,45 milhões segundo registros fiscais de 2023–2025 (números de bases e períodos diferentes, não somáveis). Aqui o benefício pessoal está documentado; o que falta comprovar é a contrapartida: a Operação Overclean da PF documentou 232 ligações entre ACM Neto e o empresário José Marcos de Moura, entre agosto e dezembro de 2024, interpretadas — não comprovadas — como indício de influência sobre nomeações em Belo Horizonte. ACM Neto nega irregularidade e diz que os contratos de consultoria são "regulares, lícitos e devidamente tributados".
IndícioVorcaro acusa ACM Neto e Antônio Rueda de comissão de 10% — em delação rejeitada
Em proposta de colaboração premiada que a PF e a PGR rejeitaram por falta de novidade (ver maio–jun/2026), o próprio Vorcaro alegou que ACM Neto e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teriam ajudado a captar cerca de R$ 2 bilhões em investidores institucionais mediante comissão de 10%. É o próprio réu, buscando benefício processual, acusando terceiros sem qualquer documento, mensagem ou registro financeiro corroborando o valor ou o acordo — o tipo de alegação que este dossiê trata como ilação sem nexo causal até que apareça algo além da palavra de quem tem interesse direto em barganhar a própria pena.
Ilação sem nexo causalZanin é designado relator e rejeita instalação imediata da CPI
Ministro Cristiano Zanin assume a relatoria da ação de Alessandro Vieira (Pet 16.704, incluída em pauta no mesmo dia) e indefere o pedido de liminar para forçar a instalação imediata da comissão — decisão separada do julgamento sobre Moraes, ainda travado pelo pedido de vista de Dino.
ComprovadoO mecanismo alegado
Reconstrução feita pela investigação da Polícia Federal e do Banco Central, ainda não confirmada por sentença — todo este bloco é indício. Fontes: ISTOÉ Dinheiro, CartaCapital, Congresso em Foco.
Captação acima do mercado
CDBs pagando até 130–140% do CDI, blindados pela garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF — o que atrai 1,6 milhão de investidores sem que eles precisem avaliar o risco real do banco.
Aplicação em ativos de qualidade duvidosa
Recursos captados vão para dívidas de empresas em recuperação judicial e para FIDCs e FIPs de baixa liquidez e regulação frouxa.
Triangulação via fundos de terceiros
A partir de 2023–2024, empresas de fachada tomam empréstimo do banco e aplicam em fundos geridos pela Reag Investimentos; o dinheiro circula por diversos fundos e retorna ao banco, usado para comprar ativos supervalorizados nos registros contábeis.
Carteiras de crédito sem lastro real
Via a Tirreno Consultoria, o Master teria adquirido R$ 4,6 bi em operações de crédito consignado sem pagar por elas — e revendido as mesmas carteiras ao BRB por R$ 12 bi. Uma checagem do BC em 30 CPFs de supostos devedores não encontrou correspondência real. Padrão semelhante aparece na transferência de R$ 1,44 bi em precatórios à Entre Investimentos, dias antes da liquidação: o liquidante do banco não achou evidência de que o pagamento combinado foi feito.
Novos CDBs para pagar resgates antigos
Diante da crise de captação, o banco passa a emitir novos títulos para honrar resgates de investidores anteriores — dinâmica que a investigação caracteriza como assemelhada a uma pirâmide financeira.
A camada política — a parte menos comprovada
Segundo apuração ainda em curso, contratos com escritórios ligados a familiares de ministros do STF, emendas parlamentares favoráveis ao modelo de negócio do banco, aportes de fundos de previdência estaduais autorizados por dirigentes nomeados por um governador, encontros e mensagens trocadas com autoridades, e convites a eventos com despesas pagas teriam sido usados na tentativa de viabilizar o resgate do banco e monitorar as investigações. Nada disso foi confirmado por sentença; os citados negam ou contestam.
Quem é quem
Todo vínculo de um nome citado aqui com irregularidade é apuração em curso — não denúncia formal, nem condenação — salvo onde o contrário está indicado.
Núcleo do Banco Master
Reguladores e autoridades
Ministros do STF citados na apuração
BRB e Distrito Federal
Parlamentares citados
Bahia: precatórios e consultoria
Senado: Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima
Rio de Janeiro: RioPrevidência e o governador
Vítimas e impacto
Quem paga a conta do colapso — direta ou indiretamente.
Fontes
Cada número que aparece nos cards da cronologia remete a uma entrada aqui. Documentos primários — decisões e petições do STF, comunicados do Banco Central, manifestações da PGR e da AGU, notas oficiais da Polícia Federal, o relatório da CPI — estão identificados como tais no próprio título da fonte.
- InfoMoneyhttps://www.infomoney.com.br/business/banco-master-qual-e-a-historia-da-instituicao-financeira/
- O Tempohttps://www.otempo.com.br/politica/judiciario/2026/6/22/como-daniel-vorcaro-ficou-rico-e-se-transformou-em-pivo-do-maior-escandalo-financeiro-do-pais
- InfoMoneyhttps://www.infomoney.com.br/business/quem-e-daniel-vorcaro-dono-do-banco-master-que-foi-preso-pela-pf/
- NeoFeedhttps://neofeed.com.br/negocios/oncoclinicas-faz-acordo-para-receber-em-parcelas-r-4782-milhoes-de-cdbs-do-banco-master/
- Revista Oestehttps://revistaoeste.com/economia/banco-central-foi-informado-em-setembro-de-2023-sobre-o-risco-de-falencia-do-banco-master/
- ISTOÉ Dinheirohttps://istoedinheiro.com.br/como-funcionava-o-esquema-do-banco-master-segundo-a-investigacao
- CartaCapitalhttps://www.cartacapital.com.br/economia/como-funcionava-o-esquema-que-inflou-a-liquidez-do-banco-master/
- O Sulhttps://www.osul.com.br/banco-central-alertava-banco-master-desde-2024/
- Metrópoleshttps://www.metropoles.com/brasil/antes-de-liquidacao-bc-aguardou-plano-de-venda-e-socorro-ao-master
- Agência Públicahttps://apublica.org/2026/09/analise-as-revelacoes-sobre-master-vorcaro-moraes-e-mendonca/
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- CNN Brasilhttps://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/caso-master-relembre-a-liquidacao-do-banco-que-envolve-bc-stf-e-tcu/
- Seu Dinheirohttps://www.seudinheiro.com/2025/empresas/banco-central-nega-compra-do-banco-master-pelo-banco-de-brasilia-brb-mabe/
- Bahia Econômicahttps://bahiaeconomica.com.br/wp/2026/09/23/master-transferiu-r-14-bilhao-em-precatorios-para-empresa-ligada-a-delator-antes-da-liquidacao/
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- Agência Públicahttps://apublica.org/2026/05/flavio-bolsonaro-vorcaro-master-escandalo-filme-dark-horse-azarao/
- Examehttps://exame.com/brasil/flavio-nao-tornou-publico-contrato-do-filme-dark-horse-entenda/
- Polícia Federal (nota oficial, 6ª fase)https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2026/05/pf-deflagra-6a-fase-da-operacao-compliance-zero
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- Metrópoleshttps://www.metropoles.com/colunas/milena-teixeira/master-pagou-r-11-milhoes-a-empresa-de-nora-de-jaques-wagner
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- GP1 (documento na íntegra)https://www.gp1.com.br/brasil/noticia/2026/9/1/leia-a-integra-do-relatorio-da-pf-com-mensagens-entre-daniel-vorcaro-e-alexandre-de-moraes-630444.html
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- Painel Político (documento na íntegra)https://painelpolitico.com/banco-master-veja-o-metodo-que-a-pf-usou-para-chegar-a-moraes-leia-a-integra-do-relatorio
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- Manifestação PGR — Pet 16.662 (íntegra, ASSCRIM/PGR nº 1428987/2026)https://static.poder360.com.br/2026/09/manifestacao-gonet-pet-16662-asscrim-1428987-2026.pdf
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- Termômetro da Políticahttps://www.termometrodapolitica.com.br/politica/noticia/2026/09/05/fachin-promete-resposta-do-stf-a-crise-na-conducao-do-caso-banco-master-dentro-da-lei/
- Blog do BGhttps://www.blogdobg.com.br/pgr-vai-investigar-possivel-interferencia-em-relatorio-da-pf-que-revelou-mensagens-de-vorcaro-a-moraes/
- Agência Brasilhttps://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-09/mendonca-afasta-andrei-rodrigues-da-direcao-geral-da-policia-federal
- Gazeta do Povohttps://www.gazetadopovo.com.br/republica/mendonca-afasta-andrei-rodrigues-do-cargo/
- ConJurhttps://conjur.com.br/2026-set-08/decisao-de-mendonca-de-afastar-diretor-da-pf-pode-ser-suspensa-por-fachin-e-submetida-ao-plenario/
- Petição da AGU na Pet 16.662 (íntegra)https://www.conjur.com.br/wp-content/uploads/2026/09/SL_PET_16662_-_VF1_assinado_final.pdf
- ConJurhttps://conjur.com.br/2026-set-08/gilmar-pede-vista-de-referendo-do-afastamento-do-diretor-da-pf/
- Migalhashttps://www.migalhas.com.br/quentes/463991/2-turma-tem-maioria-para-afastar-andrei-da-pf-gilmar-pede-vista
- Decisão de Flávio Dino na Pet 16.669 (íntegra)https://static.poder360.com.br/uploads/2026/09/decisao-flavio-dino-andrei-rodrigues-stf-9set2026.pdf
- Correio Braziliensehttps://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/09/7505322-ibaneis-rocha-tratou-da-compra-do-banco-master-pelo-brb.html
- Migalhashttps://www.migalhas.com.br/quentes/464389/gilmar-pede-que-fachin-adie-julgamento-e-reuna-casos-de-moraes-e-mendonca
- ConJurhttps://conjur.com.br/2026-set-11/gilmar-contesta-julgamento-na-terca-e-pede-analise-conjunta-casos/
- STF — Pet 16.662 (andamento processual oficial)https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=7681133
- ConJurhttps://conjur.com.br/2026-set-13/para-entender-o-caso-banco-master-vorcaro-no-stf-pet-16-662/
- Jornal Grande Bahiahttps://jornalgrandebahia.com.br/2026/09/stf-julga-em-15-de-setembro-de-2026-se-investigacao-sobre-ministro-alexandre-de-moraes-e-daniel-vorcaro-pode-avancar-fachin-assume-relatoria-da-pet-16-662/
- Representação PF — Pet 15.497 (íntegra, 13/9/2026)https://static.poder360.com.br/2026/09/pf-representacao-claudio-castro-rioprevidencia-13set2026.pdf
- CNN Brasilhttps://www.cnnbrasil.com.br/politica/pf-pede-busca-e-apreensao-contra-claudio-castro-caso-master-rioprevidencia/
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- Migalhashttps://www.migalhas.com.br/quentes/464476/stf-tem-4x3-para-julgar-mendonca-e-moraes-em-separado-dino-pede-vista
- Congresso em Focohttps://www.congressoemfoco.com.br/noticia/122245/stf-julga-hoje-apuracao-contra-alexandre-de-moraes-no-caso-master
- RO Acontecehttps://roacontece.com.br/2026/09/15/alessandro-vieira-anuncia-mandado-de-seguranca-para-garantir-instalacao-de-cpi-que-vai-investigar-relacao-de-ministros-do-stf-com-banco-master/
- Congresso em Focohttps://www.congressoemfoco.com.br/noticia/122284/vieira-vai-ao-stf-para-tentar-obrigar-senado-a-instalar-cpi-do-master
- Jornal Grande Bahiahttps://jornalgrandebahia.com.br/2026/09/jornal-nacional-repercute-quebra-de-sigilos-de-acm-neto-no-caso-banco-master-investigacao-cita-consultoria-delacao-de-vorcaro-e-operacao-overclean/
- STF — Pet 16.704 (andamento processual oficial)https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=7687920
- Correio Braziliensehttps://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/09/7506248-zanin-sera-relator-de-acao-que-pede-cpi-do-master-no-senado.html
- Brasil de Fatohttps://www.brasildefato.com.br/2026/09/23/zanin-rejeita-pedido-de-alessandro-vieira-mdb-se-para-forcar-instalacao-da-cpi-do-master-no-senado/



